Gestão estratégica: soluções ágeis em um ambiente VUCA

22/07/2022 | Santander Universidades

Sair de um labirinto é um grande desafio, mas e se o labirinto, além de tudo, ganhar vida à medida que você o atravessa? E se, aos poucos, surgirem novas portas ou os corredores se fecharem no seu caminho? Essa metáfora representa a importância atual da gestão estratégica.

Há algumas décadas, as empresas estabeleciam um processo linear e imutável para a realização de objetivos. No entanto, no atual ambiente VUCA (sigla em inglês para Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), essa metodologia não faz mais sentido. Os gestores devem ser ágeis e capazes de se adaptar às novas circunstâncias que surgem continuamente, seja um novo concorrente, uma recessão no mercado ou uma pandemia global. De fato, desde a crise do covid-19, cerca de 60% dos líderes dizem passar mais tempo avaliando decisões estratégicas de forma deliberada, segundo um relatório recente do Treasure Data.

Ou seja, os gestores já não apenas planejam sua rota ao acessar o labirinto, como também sabem ajustar o itinerário conforme os obstáculos ou as oportunidades que aparecem. Para isso, põem em prática a gestão estratégica, com a qual todo o mecanismo corporativo fica a serviço de metas que evoluem com o mercado.

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O que é a gestão estratégica?

A gestão estratégica consiste em um modelo de gestão no qual se toma como ponto de partida o ambiente e suas constantes mudanças. Como em qualquer outro modelo de administração empresarial, o objetivo desta metodologia é estabelecer as metas de uma organização e os meios ou formas de alcançá-los, a fim de que seja colocada em prática uma estratégia que viabilize os resultados pretendidos. No entanto, na gestão estratégica, esse processo de planejamento-execução-avaliação é  ágil e permanente.

Como apontam Arthur A. Thompson e Alonzo J. Strickland, em Administração Estratégica, a gestão estratégica “é um processo de movimento contínuo e sistemático que oferece uma melhor orientação a toda a organização sobre o ponto central daquilo que se deseja alcançar, fazendo com que os gestores estejam mais atentos a possíveis mudança, novas oportunidades e tendências ameaçadoras”. Por isso, a gestão estratégica caracteriza-se por uma adaptação das decisões a ambientes complexos e incertos, o que a torna um mecanismo dinâmico, em contínua revisão e readequação. Nesse sentido, a capacidade de diagnóstico é um must-have se você quiser se dedicar a esta área profissional. 

Além disso, a gestão estratégica deve ser aplicada em todos os níveis e de forma consistente entre eles. Por um lado, esse planejamento de longo prazo deve abranger a orientação global da empresa em seu conjunto, ou seja, a estratégia corporativa: o que é a empresa, quais são os seus objetivos, como ela contribui para a sociedade etc. Por outro lado, com base nesses fundamentos, você também deve identificar qual será a estratégia de negócios, ou seja, como competir no mercado: você fará a empresa se destacar pela qualidade de seus produtos? Apostará em um preço competitivo? Vai priorizar a inovação? E daí por diante.

Finalmente, conforme a estratégia corporativa e competitiva, você deve organizar a empresa internamente para atingir os objetivos, encontrando a melhor estratégia funcional que permita a utilização dos recursos materiais e humanos na produção, comercialização, financiamento, tecnologia ou recursos humanos para alcançar os melhores resultados. 
 

Para que serve a gestão estratégica? 

Desse modo, incorporando uma abordagem estratégica a toda a organização, você alcançará os melhores resultados. Mas em que sentido?

  • Conhecerá a situação interna e externa da empresa, o que permitirá estabelecer objetivos ajustados à realidade da empresa a curto, médio e longo prazo.

  • Do mesmo modo, poderá identificar oportunidades de negócios antes de seus concorrentes diretos, colocando a empresa em uma situação mais vantajosa.

  • Será capaz de detectar mudanças no mercado e adaptar-se a elas, evitando que a empresa perca competitividade ou reduza a sua produtividade.

  • Um bom conhecimento da empresa e de seu contexto também te permitirá moldar o ambiente a seu favor.

  • Ao estruturar toda a organização com o objetivo de atingir as metas estabelecidas, você ficará mais perto de atingir os resultados esperados.

  • Por fim, você conseguirá que o negócio se torne mais competitivo e, em termos financeiros, mais lucrativo.

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Como se desenvolve a gestão estratégica? 

Uma vez que você entende o que é a gestão estratégica e quais vantagens ela apresenta em um mercado tão volátil como o atual, quais passos deve dar para conduzir esse planejamento dentro de uma empresa? A seguir, explicamos como é o processo para aplicar essa mentalidade de gestão.

Análise estratégica

Este aspecto está diretamente relacionado à estratégia corporativa. Ou seja, trata-se de avaliar as características da empresa e a base sobre a qual você vai desenvolver a sua atividade.

Neste ponto, é imprescindível determinar a visão, a missão e os valores da empresa, pois eles são o oráculo que irão condicionar o restante de seu planejamento estratégico. Por exemplo, se a filosofia da Ikea consiste em melhorar o dia a dia das pessoas por meio da criação de móveis com design funcional para todos os bolsos, não faria sentido que a sua estratégia competitiva fosse baseada na exclusividade, com produtos limitados a preços elevados. Da mesma forma, se um dos seus valores é a inovação, seria apropriado dispor de um departamento de P&D.

Uma vez que esteja claro o DNA da empresa, a pesquisa deve seguir com um estudo dos pontos fortes e fracos que ela apresenta para você depois traçar as estratégias mais adequadas. Neste caso, será de grande ajuda realizar uma análise SWOT para identificar os pontos fortes e fracos, assim como as oportunidades e ameaças que o negócio apresenta. Além disso, você pode complementar sua análise com a Matriz de Avaliação de Fatores Internos (EFI), a qual permite ponderar a relevância de cada um dos parâmetros obtidos na SWOT. 

Em relação ao ambiente de negócios, tudo está conectado. Por isso, você não poderá realizar uma análise estratégica correta sem conhecer também o ambiente no qual a empresa irá atuar. Como consequência, a gestão estratégica requer uma avaliação pormenorizada dos fatores externos com possível impacto sobre o bom funcionamento da companhia. Para isso, você pode usar a ferramenta PESTEL, que permite identificar os elementos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ecológicos e jurídicos relacionados à sua empresa. Do mesmo modo, pode acompanhar essa análise com uma Matriz de Avaliação de Fatores Externos (EFE) para discernir o peso que os diferentes aspectos externos à empresa têm na condução do negócio. 

 

Desenho de estratégias

Você já sabe qual é o ponto de partida. Agora, é o momento de estabelecer onde situar sua meta e como alcançá-la. Por um lado, você deve especificar os objetivos da empresa, mas lembre-se de que, para o sucesso dessa empreitada, os objetivos do negócio devem responder ao modelo SMART, ou seja, devem ser Specific (Específicos), Measurable (Mensuráveis), Attainable (Atingíveis), Relevant (Relevantes) e Time-Related (Com Prazos Claros).

Por outro lado, uma vez que as metas tenham sido definidas, você deve assinalar as vantagens competitivas da empresa, pois elas são os canais que permitirão o sucesso dessa iniciativa. Nesse sentido, o modelo das cinco forças de Michael Porter contribui para determinar a capacidade que a empresa tem de competir —  a negociação entre o cliente e o fornecedor, a ameaça de surgimento de novos concorrentes, produtos ou serviços que possam ser substitutos e a rivalidade entre os concorrentes.

A seguir, determine qual ou quais são as estratégias competitivas mais adequadas para a sua empresa. Em um primeiro momento, deixe tudo em aberto. Faça um brainstorm de ideias que permitam obter o maior número de possibilidades. Em termos gerais, você pode optar por: 

  • Estratégias de estabilidade. São usadas​​ quando a empresa considera o desempenho atual satisfatório — e, por isso, busca preservar essa situação — ou porque a empresa considera que tem poucas possibilidades ou nenhuma chance de crescimento. São caracterizadas pela ausência de mudanças significativas.

  • Estratégias de crescimento. O objetivo é aumentar as vendas, os lucros e a participação de mercado da empresa mediante a diversificação, internacionalização, integração vertical, alianças estratégicas, aquisições, criação de licenças ou franquias, entre outros. 

  • Estratégias de contração. Neste caso, a empresa busca reduzir o tamanho ou a diversidade de suas operações após a revisão e a avaliação dos segmentos que não são rentáveis ​​ou necessários.

Aplicação de estratégias

Com todas as opções sobre a mesa, é o momento de selecionar aquelas que você irá colocar em prática, por se adaptarem melhor aos objetivos e às necessidades da empresa, e priorizar a ordem de aplicação. Como instrumentos para decidir as melhores estratégias, você também tem à sua disposição ferramentas de gestão, como a Matriz de Ansoff, que possibilita conhecer as estratégias mais adequadas a uma empresa, ou a Matriz de Eisenhower, uma fórmula para estabelecer prioridades que diferencia o que é urgente e o que é importante. Dito isso, você terá que avaliar os recursos disponíveis em sua empresa e organizá-los para executar os planos de ação de forma eficiente. 

E não se esqueça de que essa fase da gestão estratégica deve compreender tanto a definição de um plano de ação, que tenha desdobramentos operacionais concretos, quanto a especificação de mecanismos de controle e indicadores de produtividade para verificar o cumprimento das linhas de ação selecionadas. Nesse caso, você pode empregar instrumentos como o Diagrama de Gantt para retratar a evolução do projeto. Tenha em mente que o modelo de gestão estratégica é caracterizado pela sua capacidade de adaptação constante, pelo que a avaliação, controle e supervisão do cumprimento de cada plano é fundamental para entender o que está funcionando ou não e, assim, adotar novas medidas quando necessário.

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